Um dos princípios centrais da ciência da Saúde, o Higienismo, é o que denominamos simbiose. Podemos dizer, em princípio que simbiose é associação. A concordância e a ajuda mútua são essenciais entre os órgãos do corpo e, portanto, para a vida. Nada pode sobreviver a não ser que coopere, confie, concorde, se harmonize com o todo do qual faz parte. A vida em si mesma é o resultado do que podemos definir seguramente como amor. E é o amor que vence a morte.
A interdependência dos órgãos do corpo significa que nenhum órgão é tão independente que possa, com impunidade, desprezar os direitos de outros órgãos. Todos eles confiam em todos os outros, o coração no pulmão, o pulmão no estômago, etc.. O estômago faz um trabalho pelo qual todo o corpo se beneficia, assim fazem o coração o pulmão, o fígado, entre outros. As unidades do corpo evoluíram juntas para o propósito da cooperação: “a própria organização é uma monumental cooperação”.
Numa das fábulas de Esopo a questão da cooperação é tratada muito claramente. Fala-se da rebelião dos membros do corpo contra o ventre, na qual, ao final, todo o corpo perece! No organismo, em sua ordem interior, isto é impossível, porém, no homem/mulher outro tipo de rebelião se instalou. A mente humana, pervertida por uma cultura apoiada na competição, uma civilização de adversários, de servos e senhores, ela não mais serve os outros membros do corpo, mas usa a sua autonomia ilusória para perverter e interromper a unidade primordial do corpo e para fornecer-lhe substâncias que, ao invés de suprir suas necessidades de uma maneira normal e íntegra, irritam, perturbam e compelem o corpo a desperdiçar suas preciosas energias em defender-se. Uma mente fundada em princípios espúrios, falsos será escrava de instintos descontrolados e acabará subjugada. Nesta condição as funções que deveriam ser instrumentos para o crescimento e o bem do todo, se tornam egoístas e dominantes. Os apetites se tornam caprichosos e exacerbados.
Um homem pode, inconscientemente, viver para comer, para satisfazer sua sexualidade, para seus músculos, e ainda para suas emoções, de ciúme, vingança e para algo mais concreto como dinheiro, bens materiais que, finalmente, ao não se apoiarem nas necessidades básicas da vida, como seus guias, atentam contra a saúde, contra a natureza. A competição é a origem da guerra, do caos, da destruição e da morte. Nada pode manter-se e crescer pela competição. O organismo nos ensina a lei da cooperação, da harmonia, da fidelidade, confiança. A saúde só pode ser resultado desta harmonia, da cooperação perfeita, integrada do todo. A doença entra, portanto, pela porta da mente condicionada pela competição, pelo egoísmo, infidelidade, desarmonia, desconfiança, desordem.
O fisiologista Huxley (Balance of Power in the Body) declara que “os diferentes órgãos e células dos quais o corpo de um animal é composto, devem estar competindo umas com as outras por alimento e outras necessidades de existência, assim como fazem todos os animais”. Alinhada com a tradição Darwiniana de seleção e competição, Huxley postula a perpétua “luta entre tecidos” que escapam da aniquilação e o caos dentro do corpo somente por um apelo ao expediente do militarismo Europeu do “equilíbrio de poder”.
“Para tais mentes pervertidas, a natureza é rubra em dente e unha; a única lei da natureza é a luta impiedosa, na qual cada coisa viva é o inimigo de cada outro” (Dr. Shelton).
Esta falácia monstruosa (da competição entre os órgãos e células de um mesmo ser e de externamente entre seus membros) deriva naturalmente e necessariamente da coroação da luta como norma da vida, e isto seria obtido pela disputa da supremacia em detrimento do todo. A patologia torna-se saúde e a saúde torna-se patologia. A competição toma o lugar da cooperação, o único caminho para o crescimento e para a vida.
Não há outra forma lícita de ver o corpo senão como um todo. O corpo integrado trabalha junto e unido para o bem comum mais do que para uma vantagem egoísta de um órgão. A divisão de trabalho é evolução interna e um meio de aumentar a eficiência e a produtividade. A seleção natural é um mero processo de eliminação e jamais um meio de capacitação e qualificação.
Simbiose, cooperar, amar são a lei natural em sua pura essência. Combater, competir e, portanto, odiar, origina-se de uma filosofia alienígena, estranha a verdadeira natureza humana. Precisamos uns dos outros, não podemos sobreviver sozinhos e, menos ainda, não podemos viver plenamente vendo os nossos irmãos menores na natureza e os nossos semelhantes como opositores ou competidores. A simbiose, a associação amorosa e cooperativa é a única garantia de um futuro feliz e saudável.