Somente aqueles produtos que podem ser metabolizados e transformados em tecido vivo podem ser chamados de alimentos. Todo produto que não pode ser transformado pela digestão em tecido vivo ou, que por outro lado, tem o potencial de atacar os tecidos e destruí-los é um veneno. Todo contato com essas substâncias é prejudicial em vários níveis para a saúde, levando a intoxicações leves e até a morte. Um veneno não depende da quantidade, mas da qualidade. Baixas quantidades de veneno podem ser a causa de uma doença mortal 20 ou mais anos após sua ingestão continuada.
Recentemente, a contaminação por agrotóxicos no Ceará foi descoberta em análises de produtos agrícolas. O assunto ganhou a mídia porque as quantidades encontradas eram assustadoramente altas. O que certamente representa uma ameaça imediata a saúde da população. Na verdade, essa ameaça não é mais importante do que o envenenamento sistemático através de produtos alimentícios contaminados com pesticidas e outros produtos utilizados pelos agricultores.
Quando todos os dias ingerimos produtos que contêm quantidades de venenos consideradas “aceitáveis”, isto é, que não provocam sintomas imediatos de intoxicação e envenenamento, não estaremos menos livres de desenvolver doenças como consequência dessas pequenas mas prejudiciais quantidades de veneno. O fato de um produto agrícola não ter veneno com o potencial de matar no ato em que o ingerimos não quer dizer que com o tempo não seremos destruídos por aqueles venenos. Os protocolos de tolerância adotados pelas agências governamentais nos colocam em risco porque indicam que os produtores podem usar venenos em suas plantações e, mesmo que forneçam produtos contaminados, estão dentro da “lei”.
Ou seja, aqui é permitido envenenar lentamente a população produzindo envelhecimento precoce, câncer, Alzheimer, doenças mentais, entre outras doenças auto- imunes, desde que as pessoas não sejam mortas no momento em que ingerem tais produtos. Quando um produto alimentício está impregnado com pesticidas já não pode ser chamado alimento . As folhas de tabaco, com as quais são feitos produtos para serem fumados e que são reconhecidamente tóxicos ao extremo, também contém elementos nutritivos: proteínas, sais minerais, vitaminas, carboidratos, enzimas e outros elementos adequados a nutrição e, portanto, à vida. Teríamos, então, o direito de classificar o tabaco como alimento? Acredito que por unanimidade todos diriam que esse produto é um veneno e que não deveria ser usado como alimento. Como, da mesma forma, deveríamos aceitar produtos alimentícios que foram acrescidos de venenos no seu processo de produção? E que direito tem o Estado de decidir o quanto podemos ser envenenados todos os dias com tais produtos tóxicos?
Aceitar supostos alimentos com rastros de pesticidas o levará, cedo ou tarde, a adoecer gravemente ao ingerir inocentes maçãs, pepinos, pimentões, batatas, alfaces, entre outros, mas que na verdade contém venenos terríveis que se acumulam e destroem o seu organismo.