“Que o Alimento seja o teu Remédio e que o Remédio seja o teu Alimento”
Há mais de 2.500 anos Hipócrates declarou essa profunda verdade sobre a saúde. Adotado como pai da medicina, a verdadeira medicina, não deixou dúvidas sobre os remédios. A sua declaração é absolutamente atual e justa.
Quando ele ordena “que o alimento seja o teu remédio” está revelando que alimentar-se corretamente, curará o doente. E, ao completar, “que o remédio seja o teu alimento”, reafirma que não há outro remédio a não ser o próprio alimento.
As lições de Hipócrates foram e continuam sendo traídas pelos seus supostos seguidores atuais. Eles sempre negaram o papel curador de uma alimentação correta e mais, criaram remédios químicos tóxicos nos quais está apoiada exclusivamente toda a sua ação curativa. Este é um ultraje e traição ao mestre. Os atuais homens vestidos de branco sempre negaram a ação dos alimentos como principal e fundamental remédio. Hipócrates, por outro lado, negou, categoricamente, que qualquer outra coisa, exceto os alimentos, possam curar – em oposição radical a farmacodinâmica moderna.
Que todos os remédios químicos são tóxicos e venenos reais é um fato cientificamente inegável. Mas, não é menos verdade que quando produtos naturais são utilizados com o objetivo e na forma de medicamentos, podem igualmente intoxicar. Aplicar produtos naturais querendo perverter sua função alimentar como se fossem drogas químicas é transformar suas virtudes em vícios.
A natureza nos prodigaliza com tudo o que precisamos para manter e recuperar a saúde. Aqueles produtos naturais conhecidos como “ervas medicinais” na verdade são simples alimentos para funções especiais que são supersticiosamente e incorretamente empregados como se fossem os remédios químicos. Tudo o que não puder ser transformado em tecido vivo é, por definição, um veneno. As ervas são, dentro de certas condições, alimentos especiais, funcionais. O seu uso correto deve ser como alimento e, jamais, como uma droga.
O Brasil dispõe de uma variedade fantástica de ervas que são úteis e necessárias para contribuir para a saúde em geral. Suas propriedades alimentares específicas são fundamentais para que o organismo possa manter e recuperar a saúde perdida. Tentar usá-los como remédios é um erro primário e, sempre injurioso para a vida.
Há uma antiga ciência alimentar dessas ervas que foi recuperada e que potencializa fantasticamente os poderes naturais de cura dos alimentos conhecidos. Ao acrescentar ervas à alimentação diária, as disfunções e sintomas da má saúde são naturalmente resolvidos. Esse é o real significado superior da funcionalidade dos alimentos.
Dr. Travi, o senhor menciona que o “Brasil dispõe de uma variedade fantástica de ervas” e que “tentar usá-los como remédios [como é de praxe pazê-lo] é um erro”. Pergunto: onde poderíamos aprender a lidar com essa riqueza da maneira correta? Existe alguma instituição que possa prover orientação específica? Ou mesmo alguma literatura nacional que contenha informações sobre o correto manejo dessas ervas (ou nossa literatura técnica carece ainda desse tipo de obra)? O senhor considera que chás são formas válidas de ingerir tais “alimentos”?